As empresas brasileiras e seus programas de Supply Chain Finance!

O SCF – Suplly Chain Finance é uma iniciativa de gestão. Tem como objetivo integrar empresas âncoras de suas cadeias produtivas (compradores) e sua rede de fornecedores sob a ótica financeira.

Isso possibilita principalmente viabilizar projetos, reduzir custos de operação, e aumentar a disponibilidade de capital nas cadeias produtivas.

O IEG – Instituto de Engenharia de Gestão publicou no fim de 2013, um estudo com o panorama sobre a implantação do Supply Chain Finance no Brasil. Confira o resumo que preparamos para você!

Supply Chain Finance

O conceito SCF não é nada mais do que uma evolução natural do Supply Chain Management (SCM), porém com enfoque na ótica financeira.

A prática SCM é largamente utilizada com o intuito de otimizar as operações logísticas ao longo das cadeias produtivas, desde o produtor de matéria prima até o consumidor final, para o ganho de eficiência.

 O estudo do IEG constatou que “no que concerne à implantação do conceito de SCF no Brasil, apesar de mais novo que o SCM, o conceito de SCF já é conhecido, porém em estágio inicial de implantação”.

  • Observou-se que 60% das empresas já aplicam o conceito. Desse grupo, apenas 22% dos respondentes declararam que praticam o SCF com formalização total enquanto que a maior parte, 78% dos respondentes, ainda está em processo de formalização. Já o percentual de empresas multinacionais que declararam utilizar o SCF foi de 62% contra 57% das empresas nacionais.
  • O conceito também é mais aplicado nas indústrias, que detêm a parcela de 65%, enquanto no setor de serviços 44% das empresas aplicam o conceito. Setores com maior exigência de nível de serviço, tanto em relação ao cliente final quanto por parte dos fornecedores, como Alimentos e Vestuário e Têxtil, são os que mais adotam o conceito de SCF.

Dificuldades para implantação do SCF no Brasil

De acordo com o estudo do IEG, as principais dificuldades para implantação de SCF por empresas no Brasil se deve aos seguintes fatores em ordem de prioridade:

  1. A falta de informações em tempo hábil para planejamento do fluxo de caixa. É importante destacar também que uma parcela significativa das empresas que participaram da pesquisa, apontou as deficiências nas soluções apresentadas pelas instituições financeiras como dificultadores para a atuação da área. Principalmente empresas que representam o ramo de serviços.
  2. Quanto a automação para gestão dos processos financeiros, fator considerado o maior dificultador para empresas que ainda não implantaram o SCF, a existência de Enterprise Resource Planning (ERP) é considerado um aspecto básico. Isso foi confirmado pela pesquisa, ao se identificar que 97% das empresas respondentes já possuem a ferramenta implantada. Entretanto, o uso de Eletronic Data Interchange (EDI) e de soluções automatizadas de pagamentos é encontrado em apenas 50% das organizações.

Alerta: Prioridades das áreas financeiras!

“É importante observar que, frente à possibilidade de implantação do conceito de SCF, as empresas devem estabelecer as suas prioridades financeiras.

  • Há empresas que não pretendem implantar tal conceito por atravessarem momento de grande pressão de caixa associada a elevadas despesas financeiras. Para elas, o melhor caminho seria a aproximação com bancos.
  • O contrário acontece com as empresas que estão em processo inicial de implantação do conceito de integração financeira na cadeia, pois compreendem que o estreitamento do relacionamento com clientes e fornecedores é essencial para a redução dos custos de produção.
  • Para as empresas que ainda pretendem implantar o conceito de SCF nos próximos três anos, e estão operando com margens baixas, aumentar os relacionamentos com instituições financeiras não é mais prioridade, uma vez que já estão bem estabelecidas e, em alguns casos, as taxas são muito altas ou as empresas já superaram seus limites de endividamento.
  • Por fim, a prioridade financeira das empresas que já implantaram o SCF, com formalização parcial ou total, é a redução de custos, viabilizada principalmente pela flexibilização de regras junto aos parceiros da cadeia de suprimentos, sobretudo, com os clientes.”

Relacionamento com clientes e fornecedores

Ao adotarem o conceito de Supply Chain Finance, as empresas optam por estabelecer ou não uma comunicação formal com clientes e fornecedores.

Os principais objetivos indicados para compartilhar informações com as demais entidades da cadeia de suprimentos, são a necessidade de antecipar prazos de recebimento (no caso de clientes) e a ampliação de prazos de pagamentos (no caso de fornecedores).

Entretanto, mesmo considerando as organizações com maior grau de evolução da integração financeira na cadeia de suprimentos, em 85% dos casos, a comunicação é informal, o que acaba tornando o processo ineficiente!

Projetos para melhoria da integração financeira na cadeia

À medida que as empresas avançam com a implantação do Supply Chain Finance, começam a ser previstos projetos de melhoria na integração financeira da cadeia. De acordo com a pesquisa, no entanto, apenas 39% das empresas respondentes declararam já possuírem projetos de melhoria definidos.

Dentre as melhorias tratadas, citam-se novas tecnologias de informação e melhorias de processos, como dashboards e novos módulos de ERPs, com 40% das intenções, e o uso de novas soluções financeiras, apontadas por apenas 7% dos respondentes.

O baixo número de empresas interessadas no uso de novas soluções financeiras, mostra que o relacionamento com instituições financeiras é satisfatório. Neste sentido, 80% das empresas industriais e 67% das empresas de serviço pesquisadas declaram que tal relacionamento é de parceria e não apenas de prestação de serviços.

Das soluções voltadas para financiamento de capital de giro, as mais utilizadas são as tradicionais, como adiantamento sobre contratos de câmbio, financiamento de insumos, adiantamento sobre contratos de exportação e financiamento de estoques (veja o gráfico a seguir).

Grafico

Conclusão

A prioridade ao uso de tais soluções indica o foco na otimização do capital de giro da própria empresa e não de fornecedores e clientes ao longo da cadeia, parte essencial do Supply Chain Finance.

Por outro lado, as soluções mais sofisticadas e voltadas para a redução do custo do capital de giro das demais interfaces, como securitização de recebíveis e Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs), ainda são pouco difundidas e adotadas.

Observa-se, portanto, que dentro de uma tendência global de desintermediação bancária na captação de recursos, os instrumentos financeiros apontados abrem grandes oportunidades para as empresas.

Com eles, através do mercado de capitais, torna-se possível a estruturação de operações mais sofisticadas e que garantem um retorno do capital para as empresas compradoras e novas alternativas de crédito para as empresas fornecedoras com custos bem mais interessantes.

O conceito do SCF vem sendo cada vez mais adotado pelas empresas. Apesar das dificuldades, as organizações mais maduras já demonstram a obtenção de ganhos relacionados ao capital de giro.

Estas empresas já deslocaram seus esforços para outras demandas como, por exemplo, a redução de custos, aproximando-se da realidade das instituições norte-americanas e europeias.

O Supply Chain Finance e a Quartilho

A Quartilho nasceu com o propósito de integrar grandes cadeias produtivas através do uso de tecnologia. Nossa solução é uma alternativa para as empresas que já estão implantando o SCF e para as empresas que ainda não deram início ao processo.

O importante é que essas empresas reconhecem que a integração financeira da cadeia é uma ótima alternativa, que gera ganhos para todos os stakeholders envolvidos no processo. Saiba um pouco mais sobre a nossa solução AQUI!

Para ler na íntegra o estudo, clique AQUI!

Sobre o autor Ver todos os artigos Site do autor

Manuela Soares