3 razões para antecipar os pagamentos aos seus fornecedores

 

3 razões para antecipar os pagamentos aos seus fornecedores

É crescente o número de empresas que estão revendo os seus paradigmas de gestão financeira. Hoje vamos destacar a busca constante pelo alongamento do prazo médio de pagamento aos fornecedoresNa última década percebemos um movimento a começar pelos EUA, de grandes empresas (principalmente as varejistas) reavaliando este conceito.

Essas companhias vêm tomando a iniciativa de criar os seus próprios programas de antecipação de pagamento aos seus fornecedores, inclusive com apoio do governo (vide artigo EUA). Já vemos este movimento dando seus primeiros passos no Brasil, como é o caso do WalMart, do Grupo Pão de Açúcar, entre outros.

Qual a razão de antecipar os pagamentos aos fornecedores?

Hoje vamos explorar os principais motivos que levaram estas empresas a esta iniciativa.

  1. Reconhecimento da importância de uma cadeia produtiva forte

As empresas âncoras de grandes cadeias produtivas trabalham em rede e por isso precisam que todos os seus fornecedores sejam saudáveis e ágeis, inclusive financeiramente.

Práticas de Supply Chain isoladas já não são suficientes. Já se criou o termo Supply Chain Finance para consolidar boas práticas, tornar mais eficiente o fluxo de capital entre os elos da cadeia.

  1. Alto custo de capital de giro para PMEs

Os pequenos e médios fornecedores possuem mais dificuldade de acesso à crédito, mais especificamente quando se trata de capital de giro. No cenário brasileiro dos últimos anos, isso ainda é mais crítico.

Quando conseguem  crédito junto a algum banco comercial, o processo é extremamente burocrático e lento. Os custos são acima de 4% a.m. se considerarmos além das taxa de juros, as TACs (taxas de abertura de crédito). As empresas acabam por buscar capital de giro em factorings, e consequentemente o custo aumenta significativamente.

Os grandes compradores perceberam que a prática de alongar ao máximo os prazos de pagamento acaba por gerar uma pressão financeira grande no fornecedor, e isso reflete no custo da sua compra. Em resumo, quando há uma ineficiência financeira, quem ganha são apenas os intermediários financeiros.

  1. Aumento do retorno do capital

Tendo em vista o cenário acima, os compradores vislumbraram a oportunidade de aumentar a remuneração do seu próprio capital. Como? Oferecendo aos seus fornecedores a possibilidade de antecipar as notas que têm à receber por um desconto.  A conta é simples, por exemplo:

  1. Uma empresa âncora X possui liquidez financeira e coloca suas reservas em aplicações financeiras tradicionais, com retorno baseado em CDI, algo em torno de 1,2% a.m..
  2. Os fornecedores, ao buscarem capital de giro no mercado, conseguem taxas de no mínimo 2,5%a.m..
  3. Neste exemplo, o spread é de no mínimo 1,3% a.m..

Se o COMPRADOR oferecer ao seu próprio FORNECEDOR uma taxa de desconto para pagamento antecipado menor do que ele encontraria em um banco ou factoring, de forma facilitada e sem burocracia, a operação é benéfica para os dois lados.

Vale um destaque

Uma operação como esta não gera risco para o comprador, desde que se antecipe apenas as notas performadas, ou seja, aprovadas para pagamento. Em resumo, o fornecedor já entregou o seu produto/serviço e está apenas aguardando o pagamento acordado inicialmente.

O COMPRADOR aumenta o retorno do seu capital sem risco e o FORNECEDOR resolve o seu problema de capital de giro de forma muito mais barata e ágil.

Operações como esta, se bem conduzidas, são extremamente saudáveis para a cadeia! Há empresas tão maduras neste tema que já automatizaram todo o seu processo de antecipação.

No próximo post, vamos destacar os principais desafios encontrados pelas empresas que optaram por esta estratégia!

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Manuela Soares