Saiba por que o Risco Sacado está deixando de ser usado

Saiba por que o Risco Sacado está deixando de ser usado

Muitas empresas já identificaram a necessidade de ajudarem os seus fornecedores no acesso ao crédito, mais especificamente ao capital de giro. Em âmbito nacional, existem produtos no mercado financeiro que tentam solucionar este problema. Os principais são: Desconto de duplicatas, Empréstimo, FIDC e Cessão de crédito (risco sacado).

Neste texto abordaremos especificamente a cessão de crédito, operação denominada de “forfait”, “confirming”, “risco sacado”, ou também “securitização do contas a pagar”.

Como funciona o risco sacado?

Digamos que o Fornecedor A possui uma fatura a receber com o Comprador B em 60 dias (Prazo D). Na cessão de crédito, ou muito conhecido também como risco sacado, o Comprador B transfere o seu título a pagar para um Banco X que por sua vez antecipa o pagamento para o Fornecedor A em D0 por exemplo. Na sequência, o Comprador B paga ao Banco X, porém em D60, ou seja, na data original do título.

Ocorre que, uma vez contratado este serviço pelo Comprador B para o Banco X, o título será descontado para o Fornecedor A usando uma taxa de desconto proporcional ao nível de risco do Comprador B, normalmente um grande empresa e com baixa exposição ao risco. 

Aparentemente, todos saem ganhando, pois:

  • o Fornecedor recebe mais rápido e com um custo menor já que ele está sendo avaliado com o nível de risco do comprador (grande empresa);
  • o Comprador normalmente recebe uma remuneração do banco, mais conhecido como rebate, que equivale a um % da taxa de desconto;
  • e o Banco consegue aumentar o retorno do seu capital a um risco bem menor.

Na prática a realidade é outra

A operação risco sacado começou a apresentar alguns problemas. Em conversas com mais de 30 gestores financeiros de grandes empresas, identificamos as principais fraquezas destes produtos. Veja a seguir.

Natureza Contábil

Com o crescimento deste tipo de operação, as empresas de auditoria começaram a questionar a natureza contábil e consequentemente a forma de classificação destas nos registros contábeis. Estas operações foram avaliadas como empréstimos financeiros, consequentemente devendo ser registradas como tal no balanço. Esta discussão culminou na publicação este ano de um ato da CVM (OFÍCIO-CIRCULAR/CVM/SNC/SEP/n.o 01/2016 – página 05 – 2. Operações de “forfait”).

Limite de Crédito

Ao se usar uma operação como esta, o limite de crédito tanto do comprador quanto do fornecedor ficam comprometidos, na instituição bancária em questão. Esta situação não ocorre quando se faz uma operação direta, sem intermediários financeiros, ou quando se usa um FDIC por exemplo.

Baixa escalabilidade

A solução não consegue atingir todo o universo de fornecedores, seja por limitação operacional, baixa usabilidade, ou por causa de processos burocráticos. Os bancos não são focados nos fornecedores, que pela dificuldade de acesso, acabam não recorrendo a solução com frequência.

Dependência

Dependência do banco e consequentemente das taxas definidas por ele. Quando se trabalha com apenas um banco, qualquer mudança na política de crédito da instituição em questão poderá prejudicá-lo; ou seja, é bom diversificar o risco trabalhando uma operação multi-funding.

Capacidade de gerar valor para a cadeia

As soluções são caras para os fornecedores e, quando remuneram a grande empresa, este retorno é baixo. De maneira geral, a maior parte do ganho fica com a instituição financeira.

Conclusão

Se considerarmos que uma grande empresa normalmente é financeiramente líquida e possui reservas suficientes para realizar uma operação de antecipação, NÃO há motivos para que se busque intermediários financeiros para um programa como este.

Uma operação de antecipação para fornecedores usando intermediários financeiros  como a cessão de crédito só faz sentido para empresas que não possuem capital suficiente ou que por algum outro motivo não podem realizar uma operação como esta.

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Manuela Soares