Pagamento aos fornecedores: o PMP e o capital do acionista

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Recentemente convidamos o Fabrício Martins, fundador da Monetiza, para compartilhar a sua experiência quanto a relação entre o retorno sobre o capital do acionista  e o prazo médio de pagamento aos fornecedores. A Monetiza é uma multi family office dedicada a gestão de patrimônio. Acompanhe todos os detalhes neste post!

O quadro estrutural de uma empresa e hipóteses de monetização

A estrutura de capital de qualquer empresa é composta de três itens principais:

  1. Capital dos sócios
  2. Empréstimos
  3. Outras obrigações

Obviamente o desejo de qualquer acionista é alcançar o maior retorno possível sobre o capital investido na empresa, e assim o custo pago para os demais provedores de recursos é determinante.

Uma vez que o custo do capital atribuído às “Outras obrigações” é geralmente zero por se tratar de fornecedores e entes públicos (tributos), se aumentamos a participação desse capital na estrutura de qualquer empresa, fazemos com que o custo médio de capital seja reduzido e assim o retorno para o acionista é ampliado.

Por exemplo, vamos utilizar o caso de uma empresa que tem a seguinte estrutura de capital:

  • Capital dos sócios: $ 20
  • Empréstimos: $ 40
  • Outras obrigações: $ 40
  • Capital Total: $ 100

Para os empréstimos, vamos atribuir um custo de 20% a.a. e assim temos que o custo médio de capital de terceiros é:

Empréstimos …………… :   $ 40 a 20% ao ano = $ 8

Outras obrigações ……. :   $ 40 a 0% = $ 0

Custo total ……………… :    $ 8

Capital de terceiros total: $ 80

Custo em % ……………… :   10%

Por outro lado, se aumentamos a participação do item “Outras obrigações”, a consequência é uma redução no custo médio do capital de terceiros. Vamos a mais um exemplo:

  • Capital dos sócios: $ 20
  • Empréstimos: $ 20
  • Outras obrigações: $ 60

Mantendo o custo de 20% a.a. para os empréstimos, temos que o custo médio de capital de terceiros fica:

Empréstimos ……………. : $ 20 a 20% aa = $ 4

Outras obrigações …….. : $ 60 a 0% = $ 0

Custo total ………………. :   $ 4

Capital de terceiros total: $ 80

Custo em % ……………… :   5%

Impacto no retorno sobre o capital dos sócios

O retorno que os acionistas obtém sobre o seu capital é função do retorno que conseguem extrair nos investimentos feitos na atividade fim da empresa. Assim, precisamos saber qual o retorno do capital total (dos sócios, de empréstimos e de outras obrigações) investido na atividade para conhecermos o retorno do acionista.

Nos dois exemplos anteriores temos que o capital total da empresa é igual a $ 100, e vamos utilizar um retorno sobre o capital total, ou retorno sobre o ativo (ROA), de 15% ao ano para conhecer o resultado ao acionista em cada caso.

Exemplo 1 2
Retorno sobre o ativo (ROA) 15% a.a. 15% a.a.
Capital do acionista $ 20 $ 20
Capital de terceiros $ 80 $ 80
Custo médio do capital de terceiros 10% a.a. 5% a.a.
ROA ($) $ 15 $ 15
Custo médio do capital de terceiros ($) $ 8 $ 4
Retorno sobre capital do acionista $ 15 – $ 8 = $ 7 $ 15 – $ 4 = $ 11
Retorno sobre capital do acionista (%) 35%a.a 55% a.a.

O prazo médio de pagamento aos fornecedores

Uma forma de alterar a estrutura de capital de qualquer empresa é com o aumento do prazo de pagamento a fornecedores. Assim, a conta “Outras obrigações” terá seu saldo ampliado e como consequência haverá um excedente de caixa que poderá ser utilizado para pagar obrigações com instituições financeiras. Isso significa reduzir o impacto que esses provedores de capital têm no montante total de recursos disponíveis para investir na atividade fim da empresa. Porém…

Como aumentar o prazo de pagamento sem comprometer a saúde financeira dos fornecedores e manter a cadeia de suprimentos saudável e comprometida?

A saída encontrada por grandes compradores foi a implantação de programas de financiamento a fornecedores. Pelo fato de possuírem excelente reputação de crédito, esses compradores tem a possibilidade de obter capital aos menores custos disponíveis.

Dessa forma, colocam a sua reputação a serviço dos seus fornecedores e assim fazem com que esses também possam captar aos menores custos disponíveis. O cenário é complementado com a presença de investidores institucionais que, devido ao excesso de liquidez atual, enxergam nessa operação de financiamento a fornecedores uma grande oportunidade de rentabilizar suas reservas e atingir os resultados esperados.

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Manuela Soares